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Paulo Galindro

Nasceu como as uvas, sem cabelo, fruto da bela colheita que foi 1970. O cabelo foi-lhe crescendo ao som das enormes impressoras da gráfica onde o seu pai trabalhava. Foi nesse Templo dos Livros que o cheiro das tintas lhe adubou os sonhos. Anos mais tarde, acalentando o desejo secreto de ser astronauta, licenciou-se em arquitectura, foi pai de dois miúdos muito giros e, ao ilustrar um montanha de livros, deixou-se assustar pelo Cuquedo, partilhou banheira com um tubarão, apanhou uma estrela que caiu do céu, foi à Lua com um elefante e até mergulhou com uma baleia branca. É um facto que ainda não é astronauta, mas como a sua cabeça vive no lado oculto da Lua, é mais ou menos a mesma coisa.
Porque a vida é um eterno retorno, voltou a ser careca. Adora café, dióspiros com canela, papas tão espessas que a colher fica em pé e pastilhas com a forma de melão.

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Talvez um cão